Terça-feira, 25 de Abril de 2006

Solidariedade Wi-Fi


Assim como gosto de andar nú pela casa, logo após o banho, e fumar um cigarrito sentado em posição de lótus e a beberricar o meu café, também me habituei a usar o meu portátil (hehehe, outra melhoria, dantes eu dizia "lap-top" e portátil para mim era um Palm com wireless...) em qualquer ponto da casa, após o banho, mas sempre sentado com ele ao colo. Uma vez que tenho mais que um computador e todos têm que estar ligados à net, natural é que compro logo um router wireless. Assim, mesmo na casa de banho, posso ir ver o meu email...:)

Ora ai está algo diferente. Quando comprei o meu aqui em Lisboa, naturalmente configurei-o sem qualquer restrição de acesso. Isto quer dizer que qualquer dos meus vizinhos, ou quem passe na rua com os seus Palms, pode aceder à net simplesmente adquirindo o meu sinal. Sem restrições. Sem preocupações da minha parte.

De olhos muito abertos, os cabelos a eriçarem-se, a Zee, que me acompanhava na altura em que eu fazia o set-up, gaguejou logo após uns segundos de choque:

"'Tás... ehu, estás maluco???!!"

"Maluco porque?", respondi, enquanto apertava melhor os terminais RJ45 ligados ao meu PC. "Isto está a funcionar, não?"

Ela engoliu em seco, respirou fundo, e, não sem deixar transparecer o tom condescendente, explicou:

"Eh pah, tu vais ficar tramado, vão abusar da tua largura de banda!". Ela é do norte, a palavra que usou não foi exactamente "tramado", a original aqui suprimida para manter este post próprio para todas as idades e para açoreanos :)

Fitei-a completamente incrédulo. Nah, pensei, quem estava doida era ela, as pessoas não são assim tão mesquinhas. Encolhi os ombros, dei-lhe um dos meus sorrisos marotos que significam que nao quero responder para não a fazer sentir mal e desviei a conversa para outra coisa qualquer. A coisa passou e esqueci-me completamente do episódio.

Óbviamente, no dia seguinte quando regressei do trabalho, esperava-me a realidade. Em choque puro, vi que TODA a minha largura de banda permitida para um mês inteiro tinha sido utilizada numa noite!

Como é possivel, pensei, como?? Claro, vendo um tanso como eu, os vizinhos não resitiram. Há que torrar a ligação do parvo que a deixou aberta, já agora há que aproveitar e fazer download desses filmes todos, dessas músicas todas, tudo ao mesmo tempo que é para não ser para mais tarde. E mais, não eram um nem dois, eram não menos do que sete - SETE!! - penduras!!!

Corri com eles imediatamente, e fechei o acesso ao router logo, claro. A Zee, que mora uns dois apartamentos acima do meu, usava nessa altura a minha ligação, por isso criei uma conta restrita para ela e assim ficou resolvido o problema.

A ressaca do acontecido, mais uma das que agora tão frequentemente me assolam desde que voltei, demorou a passar, porém. Pois, lá donde vim quase toda a gente deixa os acessos abertos. Todos partilham a "bandwidth", de modo que quando eu configurava o meu router sentia-me na obrigação de o fazer também. É que dessa forma eu seria beneficiário, ser-me-ia possível aceder ao meu email e outras coisas mesmo que não estivesse em casa. E teria assim também a oportunidade de pagar de forma inderecta o favor. Afinal,  what goes around, comes around...

A diferença é que nunca, nunca tive ninguém a aproveitar-se da minha generosidade e, julgo, da dos outros que possuiam routers wi-fi, para fazer o que me fizeram aqui. Afinal a idéia é democrática, é uma espécie de solidariedade de netters. Não se abusa, por isso está disponível. Partilha-se, como se de água se tratasse. Afinal, também se paga a água e penso que não se recusa um copo da dita a ninguém, não? Não vale a pena é tirarem-nos, secarem-nos logo o depósito inteiro, tudo de uma vez!
sinto-me: tansóide
publicado por Sergio às 15:27
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