Terça-feira, 11 de Abril de 2006

Chamadas do além?


A chamada veio, e o telemóvel tocou, só completamente por esquecimento meu.

Enquanto me admoestava mentalmente, levemente irritado pelo tal esquecimento, desculpei-me aos presentes por tê-los feito aturarem o irritante toque que eu adoptei, e isso sem falar na completamente aceitável irritação que provávelmente sentiram por verem a reunião tão rudemente interrompida por causa da minha óbvia incúria e desconsideração.

Naturalmente, embaraçado de forma completamente evidente no rubor, lá apertei o botão vermelho para desligar a chamada, de soslaio olhando o mostrador para me certificar de quem me chamava, e assim poder pedir desculpas ao autor da mesma pela minha falta de educação em lhe desligar aquilo na cara. Afinal, fosse quem fosse, era completamente alheio ou alheia à minha estupidez que estava na origem natural de me ter esquecido de desligar o estupido telefone antes de entrar para uma reunião. Acontece, até eu me admito os clássicos cinco minutos de estupidez por dia, por isso até não me fustigo muito, retracto-me apenas.

Mas a irritação cresceu imediatamente. A chamada vinha de um número suprimido. Ou seja, o seu autor voluntáriamente tinha escolhido que eu não soubesse quem era. Criou-me dois problemas. Aliás, criou-me uma data de problemas: primeiro, o de não lhe poder pedir desculpas por lhe ter sumáriamente desligado a chamada; segundo, o de me deixar impedido de saber a quem ligar e perguntar do que se tratava; mais, como é que vou saber se a chamada era importante? Todas as chamadas são importantes prara mim, tão parco sou a informar do meu número...!

E depois, resolvi concentrar-me de novo na reunião, agora perdido o meu ímpeto, agora perdida a minha ascendência. Ah, quando chegasse lá fora ia ver se havia mensagem...

Advinharam? Não havia mensagem nenhuma! Nem número, nem mensagem na caixa de voz. Irritação crescente a tomar conta da minha capacidade de raciocinalizar, neurótico já, logo à saída da reunião, comecei logo a ligar para aqueles que eu sei que, por estarem no estranjeiro, quando telefonam, os seus numeros nunca aparecem (usam aqueles cartões marotos, ou manhosos...). Enfim gastei ali umas três chamadas para uns tantos países só para saber se fulano ou sicrana me tinham tentado ligar...

Finalmente, lá descontraí e fui para casa. Tipo, whatever, seja quem tenha sido, se queria mesmo falar comigo telefonará de novo. Só me esperava mais uma surpresa: também tinha uma chamada, com número suprimido e que não deixou mensagem, com uns dois minutos de intevalo da outra no meu telemóvel, no meu telefone de casa. E esse, esse número de casa, muito pouca gente tem. Só os amigos íntimos - e os recrutadores, que lêm o meu resumé (ou CV, como por cá se diz...).

Enfim, pergunto porquê. Afinal, eu compreendo que não se queira mostrar o número quando se quer preservar o anonimato. Ou seja, se eu quizer telefonar a alguém a quizer fazer ameaças, propostas desonestas, e tal, se calhar seria isso que eu faria, suprimia o numero. Seja como fôr, tal é definitivamente um acto que a mim me parece relacionado com algo inconfessável, obscuro e muito pouco civilizado. A preservação do anonimato é perfeitamente aceitável em muitas circunstâncias, aposto. Mas não em trabalho, não entre amigos. Nunca. Em trabalho, parece mal: se não querem que eu saiba o vosso número, será que posso confiar em vocês? Entre amigos, parece brincadeira: deves querer é pregar-me uma partida...

Enfim, eu sei, são neuroses. Será que ando a dormir pouco, de novo? Como em tantas outras, não perderei o sono por isto. Limito-me a escrever sobre isso no blog. É para isso que ele serve, espero.

:-D
sinto-me: incomunicável
música: Wanted Dead Or Alive - Jon Bon Jovi
|| tags:
publicado por Sergio às 00:53
link do post | comentar | favorito

|| mais ...

pesquisar

 

Abril 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
19
20
23
24
25
26
27
28
29
30

|| posts recentes

Desistir da Felicidade é ...

Havia uma luz...

All is forgotten...

Sem dormir, outra vez

Desculpem...

A rasoura de Occam, o meu...

Queres ser Escritor em Po...

Não é giro, mesmo, que fa...

Sera que vem aí o bom tem...

Fraude no paraíso das ant...

Praxe Administrativa

Estíolo

A doce calmaria

Acabei de notar...

Manifesto (de Janeiro...)

|| arquivos

Abril 2012

Março 2012

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Março 2011

Fevereiro 2009

Setembro 2008

Fevereiro 2008

Junho 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Dezembro 2005

|| tags

todas as tags

|| favoritos

Efeméride

Os velhos do restelo

|| links

|| imagens

blogs SAPO

subscrever feeds