Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Telemóvel perdido

Amigos e Amigas,

Que melhor lugar para vos fazer saber que perdi o meu telemóvel?

Assim, já sabem: não estou contactável para o numero habitual Por isso, queriam enviar-me os vossos respectivos numeros por email, pois com a perda do dito aparelho assim se perdeu também a minha lista de contactos. A quem me contactar e que me envie os seus numeros de telefone, eu informarei de qual é o meu novo numero. De contrário considerarei que não querem que eu vos contacte mais e será assim em definitivo.

Abraços!

-Sérgio
sinto-me:
publicado por Sergio às 10:50
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

Feliz Natal!

Nem eu, o amargo e algo incisivo insone que por aqui debito impropérios e refilices, estou imune a me sentir de uma forma algo especial nesta época. Tenho consciência plena das vezes em que, no passado, apenas me sentia frustrado e deprimido por esta altura do ano. Estavá só, e este ano não é excepção. Mas este ano, algo diferente anda no ar para mim :)

Por isso, é com vontade e, de certa forma e ainda que contida, alegria, que vos desejo a todos um

Feliz Natal 2006 !

Conto voltar pelo Fim de Ano para marcar essa data também. Veremos se estarei então mais inspirado e venha a sair do meu teclado, gasto pelo uso e pelas tantas fúrias e insónias que me têm levado a escrever, algo mais imaginativo do que um simples "Feliz Ano Novo". Veremos.

Do vosso,

-Sérgio
sinto-me: okay!
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publicado por Sergio às 17:44
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

O Privilégio do Ofídeo...


...Que muda de pele sempre que o universo lhe dita o seu crescimento, faz do Ofídio , ofensivo e asqueroso, rastejante, serpenteante, visitar-nos menos nos nossos pesadelos?

Sem patas para andar nem inteligência que se possa nomear, detentor de grande poder sobre o nosso imaginário, povoando medos ou fascinando pelo perigo, quiçá imaginado e não real, o Ofídio permanece incólume depois de mudar a pele e renasce com brilho, elegância e aparentemente intocado sempre que o faz. E fascina de novo, as jóias das suas novas escamas a reflectirem miríades de estrelas, ou apenas o Sol, e que hipnoticamente nos fazem pensar no milagre, na pura regénese que de um momento para o outro se opera á frente dos nossos pestanejantes olhos, ás vezes indiferentes, por vezes enganados num "tromp d'oeil" involuntário e inconsciente, tantas vezes incrédulos, tantas vezes em fúria - ou inveja - também...

Para trás deixa, o Ofídio , apenas uma manga esbranquiçada, efémera, etérea, que a Terra reabsorverá. Uma ténue memória do seu passado, que a nossa Terra - que com ele partilhamos - compadecida e agradecida, fará ser parte de si mesma, afinal parte de nós também.



Conhecemo-lo como Serpente, Cobra, Víbora. Mas é Ofídio , seja ele macho ou fêmea. Está na nossa religião, est á no nosso fascínio e nos nossos medos, está nos nossos terrores - está na nossa curiosidade, mórbida ou científica. Ás vezes é venenoso, outras simplesmente vítima de mal entendidos - outras, até, apenas sobrevivente.

Representa símbolos poderosos, vive na história ou nas nossas caves, quem sabe nos entra pelas janelas entreabertas á noite, pela calada do nosso sono tranquilo? Quem sabe nos espreita, também, nas nossas vigílias, desconfiado e preparado para atacar, porque convencido que assim sobreviverá porque convencido que o destruiremos à vista, porque correcta a instintivamente pronto para nos destruir antes que o ataquemos?

Existe, e faz parte de nós. E tem um privilégio: renasce na sua mudança de pele, sobrevive ao seu crescimento, e permanece, e fica, e está por aí. Nos nossos pesadelos. E na nossa realidade. Existe.

Existe nos nossos colegas, nos nossos amigos até, em quem amamos profundamente. Queremos que os nossos inimigos o sejam, tantas vezes o desprezamos e dele fazemos um símbolo, um exemplo. Existe em nós.

Mas tem um privilégio. Que nem todos temos, e que nos não é oferecido ou garantido. O privilégio de mudar de pele, e brilhar de novo. O privilégio de voltar a reflectir a Lua, ou o Sol, as Estrelas até, e de voltar, depois de crescer mais um pouco, e ser renovado e visto como algo diferente. E ninguém lhe pode tirar isso. Ninguém. Porque é um privilégio só dele, não uma prerrogativa, apenas algo a que ele tem direito, e que nem escolheu, que nem sabe que tem. Um privilégio, apenas. Indiscutível e irrefutável. E, aceitemos, inimitável.

Admiremos o Ofídeo. Merece.
sinto-me: ... como se calcula...
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publicado por Sergio às 04:09
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

Tango



(Pintura: "Tango"  de Louise Leriche-Brisson)


No lusco fusco da sala, os candeeiros a tremeluzirem as suas chamas de gás por dentro de abatjours art-deco, dispersas por entre as mesas baixas, anacrónicas mas tão certas, tão inspiradoras ali, tectos baixos e aromas de madeiras nobres e exóticas a insinuarem-se em casamento perfeito com os aromas dos doces tabacos de cachimbo e charutos que deixam no ar farrapos de longas nuvens azuladas que intersectam aqui e ali o luar que de lá de fora se insinua pelas gandes janelas latinas, qual nuvens que, após a chuvada, deixam por entre elas passar fortuitos raios de sol.

As guitarras e o piano hesitam em pequenos acordes perdidos, os músicos nos seus escuros paletós de risca e lenços de seda branca na lapela, a encontrar o tom, dispersos, absortos, sombrolhos franzidos na concentração. Na sala o silencio já se acomoda, natural e expectante, as conversas já irrelevantes, já decididas a guardarem lugar para a música, à espera que a poesia de tudo aquilo junto invada os sentidos, e inebrie, e inspire, e faça sentir.

Os olhos dela faiscam. Intensamente,  quase imóvel, de longe ela fita-o sem falsos pudores, sem hesitações, frontal e evidente no seu desejo, os lábios voluptos, vermelhos, ricos, a reflectirem a chama dos candeeiros, entreabertos num mudo pedido, irreflectido e involuntário, apenas visível se procurado, se desejado também.

Sonhador, enfeitiçado, ele aproxima-se, lento mas em passada decidida, e, numa carícia leve mas intensa, a pele dos seus dedos apenas aflorando-os, ele deixa a sua mão, com a firmeza e suavidade que apenas existe na magia da paixão, passar-lhe pelos cabelos negros, fartos, que lhe caem pelos ombros, os olhares presos, agora já tão perto, o pensamento a dar lugar à apaixonada entrega que apenas é, apenas existe, e apenas tem um momento para sempre: agora.

Os acordes finalmente encontram-se em uníssono, em crescente, ritmo poderoso a subir, a subir e a impor-se finalmente, as mentes agora vazias, e agora só existe uma realidade - ou um sonho. O Tango.







I
rresistívelmente, em conjunto e sem ensaio, eles já estão no Abraço, com a firmeza e familiaridade de quem se conhece desde sempre, os olhares presos a não vacilarem por um momento, e caminham juntos, o mesmo ritmo, o mesmo passo, a mesma decisão, a mesma pureza e comunhão com o Tango. Súbitamente, rodam. O amplexo parece mais poderoso, os movimentos parecem únicos, e mais que os olhares, mais que a intensidade da paixão, os seus corpos falam agora, os seus corpos ganham vida, comunicam toda a alma, todo o desejo, toda a intensidade daquilo que eles vivem, para sempre perdidos num momento cristalizado ali mesmo. Os que os rodeiam sorriem, sem saber que o estão a fazer, respirações contidas, quase embaraçados pelo voyeurismo, invasores naquele tão grandioso momento, naquela tão poderosa e imparável paixão que aqueles dois corpos, aquelas duas almas ali comungam com as guitarras, com a musica, com a silenciosa poesia dos movimentos.



Eles vivem a sua história. Estão a vivê-la ali mesmo, em total oblívio do que os rodeia, uma história de paixão intensa, de amor doloroso de tão forte, de atracção e sensualidade imparáveis, quase impossíveis, quase fatais. Está ali o momento do encontro, o primeiro ciúme intenso e esmagador, a apaixonada reconciliação, a sublime paixão partilhada, irreflectida, explosiva, a comunhão de cada momento, a partilha total dos corpos, das almas, da poesia, da música, do ser...

E subitamente, o silêncio. Total. Num abraço de beleza quase clássica, ele ampara-a nobremente no seu desmaio que simboliza a dôr da separação, que afinal vai acontecer agora, agora que toda uma paixão intensa e sublime se viveu num único momento, numa única vida que só existe até ao Tango parar. E o Tango já parou, as últimas vibrações das guitaras e acórdeão a reverberarem ainda por entre as nuvens de tabaco, as conversas recomeçadas, mas os Amantes, ainda de olhar preso e intenso, agora irrevogávelmente ligados, agora talvez com os destinos jamais separáveis, retiram-se, o enlace da paixão inequívoco, mas ignorados e esquecidos por todos que agora recuperam já as conversas interrompidas.


E os Amantes desaparecem finalmente pelo pórtico alto, e as suas sombras diluem-se por entre o luar que lá fora se espalha, prateado, sobre a calçada da rua deserta, negra mas brilhante de o reflectir, iluminando-os ténuemente na sua jornada que se presente agora se iniciar.









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(Nota: Este post é dedicado especialmente à Witty. Espero que gostes! Tu inspiras-me. Serás a minha musa romana? :)

sinto-me: Inspirado
música: Tango Argentino
publicado por Sergio às 16:55
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006

A vigília e a Insónia


De repente, quase sem dar por isso, as minhas insónias de que tanto tenho aqui falado, e que são o tema absoluto e central deste blog, tranformaram-se em vigílias. Engraçado, não? Qual é a diferença?

Pois

Sem querer cair de novo (eh pá, não resisto!) no risco do cliché fácil, eu diria que se trata simplesmente do ciclo natural do universo.

Ele muda, ele tranforma-se, ele destrói-se, mas reconstrói-se, ele é inexorável e imparável, ele deixa-nos vulneráveis, mas renova-nos e fortifica-nos. A renovação surpreendente, permanente, milagrosa e que nos mantém a esperança viva - ou nos assusta, faz estremecer, nos impele a escondermo-nos num cantinho e esperar que passe. Mas que nos faz renascer sonhos que já tinhamos perdido e procurávamos sem sucesso no nosso íntimo, duvidando sinceramente de que os tinhamos tido, de todo. Que nos faz ter lágrimas de alegria e sorrisos de pura felicidade, sorrisos involuntários, verdadeiros, expontâneos e impossíveis de imitar ou reproduzir quando queremos.  Daqueles que gostavamos de guardar numa fórmula secreta para mais tarde reutilizarmos quando nos apetecesse sentirmo-nos da mesma forma outra vez - ou, menos honestamente, quando quizessemos impressionar alguém ... ;-)

De repente, vejo-me acordado, mas a sonhar. Acordado, mas a sorrir. A olhar para nada, mas a ver tudo, a sentir. Olho pró relógio, e em vez do tregeito de preocupação pela hora adiantada, solto mais uma gagalhada involuntária - "Ainda estou acordado a pensar nisto????!!! Estou doido??" - e divago de novo imediatamente, rápidamente esquecido da preocupação com as horas adiantadas da madrugada.

E a madrugada chega, e o sol nasce ali p'ra trás da Serra de Carnaxide * , e eu em vez de o cumprimentar de sobrolho franzido como sempre, fico apenas a vê-lo nascer. Apenas. E, com surpresa, quando me volto, intercepto, no meu reflexo na janela da marquise, o tal sorriso. :)



É. Acho que já não é tão insónia como isso. É vigilia. Afinal, acho que ainda nada está perdido. Nem o tal sonho.

Vou ter que reflectir, está visto. Isto é até assustador. Fiquei tão agarrado às minhas insónias que isto agora é como se fosse um mundo totalmente novo para mim. Será que vou ter que deixar de ser amargo, desagradável e desafiador? heheheh, acho que essa mudança já começou e, como o universo, suspeito que é imparável agora. Estou à espera. E estou contente por ter, finalmente, acontecido.

É isso, as reflexões têm que ser feitas. Tantas insonias já se passaram desde o último post, que agora vou ter que pôr alguma escrita em dia. Mas este aqui vai já, para marcar sem qualquer equívoco o momento em que me apercebi da mudança. E datá-lo, pois. É que, entandam, é mesmo importante e surpreendente!

Boas madrugadas (e vigílias), pessoal!!

O vosso, sempre,

-Sérgio


* (enfim, pode haver aqui uma inexactidãozinha geográfica, perdoem-me, hehehehe)
sinto-me: Finalmente, bem disposto!
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publicado por Sergio às 17:40
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